Uma armadilha para Eduardo Bolsonaro? Convocação para retorno ao trabalho levanta suspeitas em apoiadores do ex-deputado

Uma armadilha para Eduardo Bolsonaro? Convocação para retorno ao trabalho levanta suspeitas em apoiadores do ex-deputado

Um ato administrativo da Polícia Federal, publicado em 31 de dezembro de 2025, provocou intensa reação nas redes sociais de apoiadores e críticos do deputado federal Eduardo Bolsonaro. O documento determina a cessação do afastamento do parlamentar do cargo efetivo de policial federal e solicita seu retorno imediato à lotação de origem no Rio de Janeiro.

O Ato Declaratório DGP/PF nº 1/2025, assinado pelo diretor substituto de Gestão de Pessoas, Licínio Nunes de Moraes Netto, informa que o afastamento para exercício de mandato eletivo foi encerrado em 19 de dezembro de 2025. Com base no artigo 94 da Lei nº 8.112/1990, a PF alerta que eventual ausência injustificada poderá ensejar providências administrativas e disciplinares.

Embora o texto tenha caráter declaratório e administrativo, a repercussão digital rapidamente extrapolou o conteúdo jurídico do ato, derivando para as possibilidades de que o ex-deputado seja preso por outras acusações.

Narrativa de “armadilha” domina comentários de apoiadores

A análise de dezenas de comentários publicados em redes sociais, especialmente no Instagram, indica que o sentimento predominante entre apoiadores de Eduardo Bolsonaro é o de desconfiança e medo de perseguição política. Termos como “armadilha”, “arapuca”, “estratégia para prender” e referências diretas a ministros do Supremo aparecem de forma recorrente.

Comentários sobre o retorno ao trabalho de Eduardo Bolsonaro na Polícia Federal
Comentários sobre o retorno ao trabalho de Eduardo Bolsonaro na Polícia Federal

Em várias mensagens, usuários afirmam acreditar que o retorno ao cargo seria apenas um pretexto para viabilizar uma prisão, ainda que sem base criminal explícita. Alguns chegam a mencionar risco de tortura ou violência institucional, associando o episódio a uma suposta escalada autoritária no país.

Esse grupo também demonstra forte personalização do conflito, conectando o ato administrativo à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro e a decisões do Judiciário, mesmo quando tais vínculos não constam no documento da Polícia Federal.

Visões de que há uma armadilha pronta contra Eduardo Bolsonaro
Comentários na internet expressando visões de que há uma armadilha pronta contra Eduardo Bolsonaro

Polarização extrema e discurso hostil

Em sentido oposto, comentários críticos ou abertamente hostis defendem a exoneração ou prisão do deputado, utilizando termos como “golpista”, “traidor” e “vagabundo”. Em alguns casos, surgem ataques pessoais e linguagem agressiva tanto contra Eduardo Bolsonaro quanto contra seus apoiadores.

A troca de ofensas entre usuários evidencia um ambiente de polarização extrema, no qual a discussão sobre normas do serviço público é rapidamente substituída por embates ideológicos e emocionais. São raros os comentários que abordam, de forma objetiva, os aspectos legais do ato administrativo.

Legalidade formal versus percepção social

Do ponto de vista institucional, o ato da Polícia Federal segue o rito previsto para servidores públicos que acumulam cargo efetivo e mandato eletivo. Ainda assim, a reação nas redes sociais mostra que a confiança em instituições como a PF e o Judiciário encontra-se profundamente fragmentada.

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